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A falha do (anarco)capitalismo, parte 2.

20/04/2021

Leia a primeira parte.

Senti que precisava criar uma continuação do artigo anterior, para citar algumas coisas.

Essa ajuda mútua humana parece utopia, não? Parece ser impossível que o ser humano poderia viver nesse "poder da amizade" anarcocomunista. Vou dar alguns motivos que isso não é verdade, e que esse sentimento de "utopia comunista" é mera propaganda capitalista, assim como a necessidade do estado e a "utopia anarquista" é um propaganda do estado.

Vou dar um motivo que você não deveria confiar no que pensa. Um excelente exemplo é a roupa. A roupa não é necessária para um país tropical como o Brasil, mas ainda assim nós usamos ela. Quando você usa a roupa, não está colocando por conta da lei, mas sim porque você tem vergonha de não usar. Quase todo mundo tem vergonha de usar roupa, assim como quase todo mundo é egoísta hoje em dia, mas percebe que ambas as coisas não implicam em uma "natureza humana"? Dizer que o ser humano nunca poderá ser comunista segundo os conceitos mutualistas "utópicos" é mera ilusão, assim como dizer que o ser humano nunca vai parar de usar roupa. Claro que no caso da roupa existem excessões, mas meu ponto é que nós brasileiros, em maioria, não deveriamos usar camisa, calças longas, a não ser que trabalhe com algo que exija proteção do sol, mas mesmo assim usamos. É o tabu da nudez, que é totalmente desnessário.

Mesmo assim, você pode falar:

- Ok, talvez o ser humano possa ser mutualista, talvez o egoísmo seja raríssimo no comunismo, mas ainda assim, isso não explica como seria resolvido o problema do incentivo do trabalho. Você espera que alguém vai trabalhar tão arduamente quanto faria no capitalismo?

Sim. Inclusive, trabalharia mais que no capitalismo. Você deve primeiro entender por que o ser humano tem preguiça de trabalhar para início de conversa. Ao contrário do que se pensa, o ser humano gosta de trabalhar, ninguém tem saco para ficar parado o dia inteiro só jogando joguinho ou conversando com amiguinhos em balaids. O que você deve observar, é que o capitalismo não incentiva a gente a trabalhar. Se você chega para uma criança e fala que se ela não estudar uma coisa que ela não gosta, ela vai morrer de fome e sem emprego. Ela vai até estudar, mas nunca será tão sábia nessa matéria quanto seria se ela gostasse do estudo. O comunismo tem essa função de fazer a pessoa ser verdadeiramente incentivada a trabalhar, ao invés de apontar uma arma imaginária na sua cabeça, onde você é indiretamente obrigado a trabalhar, em condições que mais beneficiem o burguês empregador, e não o empregado. O burguês precisa lucrar, logo, você nunca terá as mesmas condições de trabalhos ideais que teria numa sociedade comunista.

Um exemplo prático e moderno de como a ajuda mútua é mais eficiente que o capitalismo em questão trabalhista, são os Amish, católicos tradicionais conta a tecnologia. A eficiência gigante da comunidade trabalhando chega a ser cômica, ao ponto de aparecerem sempre em filmes e desenhos animados de forma exagerada construindo estábulos inteiros em algums segundos. Ninguém é pago por esse serviço, é pura ajuda mútua, pois eles sabem desse poder.

Todavia, é notável dizer que eles não chegam a ser comunistas, e que toda essa ajuda tem origem religiosa, mas meu ponto é que isso é 100% praticável pelo humano. Imagine esse espírito aplicado com a ajuda da tecnologia moderna então? Fome deixaria de ser um problema, e nós poderiamos focar em problemas secundários, afinal, nem só de pão vive o homem.

Os Amish são apenas um exemplo de várias outras comunidades mutualistas no mundo. O problema do incentivo de trabalho nunca foi um problema real, pois surgiu apenas com o capitalismo e estado, que fazem o contrário. Isso gera um grande problema no capitalismo, pois o próprio egoísmo que o sustensa, seria sua própria ruína. Espera mesmo que um burguês vai conseguir se defender com, digamos 10 mil guardas dele, versus meio milhão de pessoas com fome? O estado consegue, afinal, obriga as pessoas a trabalharem para ele, e sustensa eles com dinheiro roubado do povo, além de monopolizar o poder, e mesmo assim, sempre está em constante ameaça do povo derrubar ele.

É a famosa luta de classes, inevitável no capitalismo, e o motor para uma sociedade comunista.